Linhas Verticais

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Casamento em Broken Head julho 16, 2007

Filed under: Eu — rangelfisica @ 4:49 pm

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Broken head é um nome mais interessante que dei a um pequeno distrito no município de Guarapari chamado “Cabeça Quebrada”.

Neste final de semana fui a um evento de família em broken head, foi o casamento de  parentes, ambos são meus parentes, foi muito divertido e surreal.

 Há algumas semanas o convite foi entregue pessoalmente aqui em casa. Minha tia-avô que mora no rio de janeiro chegou para este casamento, então eu pensei, se ela veio é sinal que a festa será boa. Ambos os noivos são meus primos de terceiro ou quarto grau, ele é um Bergamini e  ela é Poton, eu sou um Costa e tem ainda o ramo dos “Junk” que também estavam por lá (não sei como se soletra), os maiores são os Costa e os Poton. Em muito tempo a família não se reunia, e mesmo assim muita gente que eu conheço não apareceu por lá.

  Muitos parentes que apareciam por lá eram totais estranhos para mim, sempre que aparecia alguem minha mãe chamava logo pelo nome (tio fulano, primo beltrano, tia não-sei-o-que),  ia até a pessoa, abrasava, sorria fazia perguntas sobre outros fulanos desconhecidos, eu só pensava: “Quem é esse e como a minha mãe conhece ele/ela ?”, logo ela se virava para mim e falava: “filho, esta é a tia-beltrana, irmã de fulano e filha de vô alguma-coisa”. Com um sorriso, eu logo cumprimentava falava algo simpático e tinha cada vez mais certeza que sofria de algum tipo de amnésia…. acho que  durante o curso de física tive que apagar alguns arquivos da pasta “parentes”.

 Isso logo passou ao descobrir que algumas pessoas também se sentiam assim, meio perdidos, algumas filhas da irmão do meu avô também não o reconheceram  (assim como eu não sabia quem era irmã de quem).

 A noiva é neta de uma irmã de vô e o noivo é neto de outra irmã. E como meu avô tem 12 irmãos …. já viu a confusão que isso faz. Até mesmo um tio meu  já conheceu uma prima anteriormente sem saber. Isso me lembrou a família Adams, na cena do casamento que aparece um monte de parentes para o casamento.   

  A ultima época de casamentos da família foi no em meados da década de oitenta, era uns 2 a 3  casamentos por ano, agora são os filhos deles que estão casando. Percebi isso ao ver que quase todos os  primos e primas da minha faixa etária já estavam casados e com seus filhos, olhando por este angulo, sou o único Costa da quarta geração que ainda não esta comprometido (com namorada de longa data / noivo / casado).

  A viajem até este local meio esquecido foi complicada, pensamos em alugar um carro para poupar os outros, mas a melhor alternativa foi pegar um táxi até lá, entrando na sede de Viana e passando pela estrada nova que tem uns 25km ligando viana a Bahia Nova demorou uns 40 min, seguindo por Rio da Prata ( que é uma região bem alta ) e descendo até Cabeça Quebrada demorou um total de   70 minutos, chegamos as 13:40 (casamento às 14h).

 A igrejinha é muito modesta, igreja de localidade rural é pequena mesmo, meu avô ajudou a construir aquela igreja e minha mãe estava lá no dia que benzeram a pedra fundamental (ou algo assim) e plantaram a castanheira que esta lá, após 1 hora de apresentações de parentes desconhecidos esperamos o casamento terminar do lado de fora onde já estava tudo pronto para a festa. Como sempre, o padre atrasou (a noiva só chega depois do padre).

 Cada um estava pensando em uma coisa: mãe: “Como a noiva está bonita”, tioV.:”Como tio-não sei-o-que está bem de saúde”, tio S. ”Quem mulherada bonita” , Eu:”Isso tudo é parente mesmo?”.

 A festa foi muito animada, típico de família italiana/germânica/portuguesa. Os noivos estavam bem ocupados, nem tiveram tempo para aproveitar a festa.

Uma hora nos foi servido um cocô com bebida dentro, acho que era a típica caipirinha, apenas provei e senti que estava realmente forte, a Tati depois estava se sentindo mau por ter bebido aquilo. A festa estava muito bem servida, muita bebida, refrigerante (já que eu não bebo), um barril de caipirinha livre para o pessoal se servir (e no final da festa ainda estava cheio) e  muita carne, afinal os Poton deram um boi e os Ricieri  deram outro!  No final ainda sobrou muita carne e oito grades de cerveja.

Durante a festa eu tive a impressão que estava com uma melancia no pescoço ou algo assim, um monte de gente olhavam para mim meio estranho. Sentado na mesa com o pessoal quando a tati me falou o que era: “ vc emagreceu mas ficou mais bonito, alguma coisa em vc esta diferente, não sei dizer o que é”

 Era a roupa que estava usando, já comprovei isso em outras ocasiões, um dia eu escrevo sobre essa  futilidade e como usar roupa bonita altera a percepção das pessoas.

Um evento muito curioso foi constatar o “sentido” extra da mulheres.

 Estava conversando com Wendell, a tati quando ele diz, “pela cara, aquela loira é safada”, olhei para ela e disse, ainda não tenho esse sentido. Chega a minha mãe e diz, ela estava olhado para vc. Eu volto a olhar para tras e não vejo nada de suspeito, “é paranóia sua, mãe” e a tati também diz:”é verdade, ela tá toda hora olhando para vc”, “eu não vi nada, só sei que ela tem cara de safada”, comenta o Wendell. Depois disso a conversa toda outro rumo e deixamos a loira com cara de safada de lado, até que em outra hora passamos onde ela estava com as amigas e confirmei, ela me deu uma encarada (ela tinha mesmo cara de safada), só faltou me tirar pedaço!, falou algo no ouvido  da amiga do lado, a amiga me olhou e sorriu. Depois ela de desgarrou do bando e ficou plantada sozinha próximo da gente, devia estar esperando uma investida, coisa que eu não faço.

 Voltei a confirmei com a tati, “é verdade”. “Mulher tem um sentido para saber disso” respondeu ela. Claro que a alta densidade de homens feios que há na roça ajuda muito. E como já havia falado   o meu tio: “Agora sei onde estão as mulheres bonitas”.  

 Depois de muita conversa bizarra de parente (algumas até engraçadas), colocaram umas musicas para tocar….era forro! Prontamente saquei o meu mp3 e fiquei ouvindo algo mais interessante.

 As vezes ter mau gosto ajuda a pegar carne, tinha uma garota novinha e alta que eu achava uma gracinha (só pá ela tinha óculos e cara de inteligente), toda hora que eu entrava no salão ela ficava me olhando (eu estava procurando minha tia-avô que sumiu), até que teve uma hora que ela ficou rebolando e se insinuando para eu tirar ela para dançar (Wendell é testemunha deste fato cômico), para mim chega, rebolou e dança forro está fora da minha lista …. eu sou chato mesmo, mas forro naum!  

Ainda tinha a Aline, uma prima que surgiu do nada  com minha mãe puxando assunto (“sabia que somos primos!”) com uma conversinha meio chata sobre arrumar um namorado para minha mãe. Tratei a moça com indiferença (cara de tédio e respostas monossilábicas são ótimas para afastar gente chata). Mais tarde fiquei sabendo de uns comentários interessantes que ela fez  meu respeito.

 Outra coisa que me espantou foi conhecer duas primas “Cluber”. Eu pensava que minha família estava livre disso, mas ao ver os pais tenho certeza que houve troca na maternidade. O que mais me chocou foi com a declaração da mãe delas,”filhas, essa é a Odete, vcs são igualzinhas a ela quando era mais nova, esse animo que vcs tem.” …. Pera ai, como assim a minha mãe era como elas? Fui criado por uma Cluber? Eu sei que ela tinha um gosto musical diferente quando era nova  (Blondie, Queen, Pink Floyd e outras coisas dos anos 70 ) mas era como essas duas?  Elas fazem festas temáticas nos aniversários! (caipira chique, superpoderosas , cow girls). No dia seguinte notei um  grande afinidade entre elas e a nova tia.

 E como é tradição em casamentos a noiva jogou o buque, a moça que pegou correu com um sorriso no rosto procurar o namorado e tirou uma foto com ele e o buque, a expressão no rosto dele foi uma mistura de desgosto e duvida: “E agora !”.

 Não fiquei até o final da festa, voltei lá para as 20 horas.

 Fomos dormir na casa de tia e tio …. era um casarão enorme! Fui descobrir que ele foi construído pelo meu bisavô, a casa deve ter uns 80 anos. Pela arquitetura parece mais uma casa colonial, três gerações  da família moraram naquela casa e eu não sabia que existia? Tenho que atualizar meus registros.

 Após uma noite de sonhos bizarros, coisas como uma praga ter matado boa parte da humanidade e os vivos estava se livrando dos corpos, estava andando  pelas ruas e ver pilhas e pilhas de corpos apodrecidos e negros, alguns estavam sendo queimados outros seria deixados lá e o pessoal iria embora da cidade.

 No dia seguinte a festa continuou da casa dos noivos (afinal sobraram oito grades de cerveja), até que a gente era bem conhecido (menos eu, é claro). Todo mundo nos conhecia pelo nome. A moça que havia se casado ontem veio me cumprimentar e perguntou com um sorriso: “vc é mais um primo novo ?”. desta vez foi algum bem mais familiar, muitos foram embora no dia anterior mesmo   , deu para conhecer melhor a parentada, infelizmente não deu para escapar do estigma de astrônomo, veio uma tia e perguntou:

_Sua mãe falou que vc esta fazendo doutorado, eu tenho um sobrinho que também é da área de saúde e uma  que fez enfermagem, vc já escolheu sua especialidade ?

_Legal, mas eu sou da exatas, faço astronomia.

_ é mesmo, vc faz ASTROLOGIA !

Segurei o riso e disse.

_eu me formei em Física também fiz mestrado em Física, agora fui fazer doutorado em ASTROFISICA.

_Ah… física, é muito difícil, tenho um sobrinho que fez engenharia… bla bla bla

Astrônomo sofre!    

A volta para vitoria foi bem mais complicada que na ida, esperamos pelo onibus que passa por este local (o onibus só passa duas vezes por dia), passamos por São Miguel, que é um distrito que eu já conhecia.  Chegamos em guarapai e foi possivel ver o por do sol no porto. Durante a espera do onibus descobri que não era apenas na roça que  estava atraindo olhares lascivos (com certeza era a minha roupa já que eu não sou tão bonito assim). Pegamos o onibus  que liga guarapari a vitoria pela planeta, já que o alvorada passa por vila velha, iria demorar mais.

  Chegamos em casa no exato momento que o Brasil fazia o terceiro gol (pelos gritos no bairro dava para saber).  

 

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